Imovision apresenta

VIVA ZAPATERO!
Documentário satírico de Sabina Guzzanti
O documentário critica duramente a censura imposta por Silvio Berlusconi aos meios de comunicação públicos na Itália.
Viva Zapatero! responsabiliza tanto o governo de Berlusconi como os partidos de direita e esquerda que permitiram sua atuação. A direção é de Sabina Guzzanti, humorista política que sofreu na própria pele a intervenção do governo italiano que censurou o RaiOt, programa de sua autoria que seria exibido pela rede pública. São relatados outros casos de cancelamento de programas e de jornalistas obrigados a se demitirem. São exibidos também trechos de programas censurados e entrevistas com funcionários do governo, vítimas da censura, além de professores universitários e jornalistas de diversos países.
Um único episódio do RaiOt foi exibido na RAI, a televisão pública, em novembro de 2003. Dedicado à liberdade de expressão, nele, Sabina Guzzanti interpretava Barbara Palombelli, Silvio Berlusconi, Bruno Vespa, Massimo D’Alema e Lucia Annunziata (então Presidente da RAI). O sucesso foi extraordinário: o programa foi visto por 1.834.000 telespectadores, com 18,37% de share e pico de 25% (mais de dois milhões de espectadores).
Nos dias seguintes, a Mediaset (de propriedade de Silvio Berlusconi) entra com processo contra o RaiOt por difamação. A RAI decide suspender a transmissão e o caso é arquivado por falta de fundamentação. A humorista, como protesto contra a decisão da TV de cancelar o programa, apresenta o RaiOt em forma teatral, no Auditorium di Roma, para uma sala com 2,7 mil pessoas. No palco, com ela, Paolo Rossi, Serena Dandini, Firorella Mannoia, Dario Fo, Daniele Luttazi. Na praça do lado de fora do Auditorium, 15 mil espectadores acompanhavam a apresentação, além da transmissão em telões, via satélite, para diversos teatros italianos.
O documentário Viva Zapatero! foi apresentado em Veneza como filme surpresa, em 2005, durante o período em que Silvio Berlusconi cumpria seu último mandato como primeiro-ministro italiano (o primeiro entre 1994 e 1995 e, depois, de junho de 2001 a maio de 2006). Berlusconi, além de político, é empresário de meios de comunicação, entretenimento e investimentos financeiros.
Seu sucessor, Romano Prodi, após uma séria crise governamental em seu mandato, renunciou ao cargo no início deste ano. O parlamento foi dissolvido e as eleições italianas, que só aconteceriam em 2010, foram antecipadas para os próximos dias 13 e 14 de abril. Silvio Berlusconi mantém a liderança nas pesquisas de intenção de voto.
Ficha técnica
Título original: Viva Zapatero!
Itália, 2005, 80 minutos
Gênero: Documentário
Direção: Sabina Guzzanti
Roteiro: Sabina Guzzanti
Direção de fotografia: Paolo Santolini
Música: Riccardo Giagni e Maurizio Rizzuto
Montagem: Clelio Benevento
Produção: Valerio Terenzio Trigona (Studio Uno) e Sabina Guzzanti (Secol Superbo e Sciocco Produzioni)
Distribuição nacional: Imovision
Destaques
- Festival de Veneza 2005 – Filme surpresa
- Indicado a melhor documentário no European Film Awards 2005 e Festival de Sundance 2006.
- Recebeu o prêmio Silver Ribbon de melhor documentário pelo Italian National Syndicate of Film Journalists, em 2006.
Depoimentos por ordem de aparição
Rory Bremner
Sabina Guzzanti
Daniele Luttazzi
Michele Santoro
Enzo Biagi
Fabrizio Morri
Valerio Terenzio
Andrea Salerno
Lucia Annunziata
Beppe Giulietti
Claudio Petruccioli
Dario Fo
Flavio Cattaneo
Luciano Canfora
Karl Zero
Marcelle Padovani
Bruno Gaccio
Udo Gumpel
Paolo Rossi
Ezio Mauro
Antonio Polito
Marcello Veneziani
Francesco Alberoni
Angelo Maria Petroni
Davide Caparini
Bill Emmott
Beppe Grillo
Alexander Stille
Maurizio Gasparri
Giorgio Lainati
Michele Bonatesta
Furio Colombo
Claudio Fracassi
Marco Travaglio
Ferruccio De Bertoli
Eric Jozsef
Elio Veltri
Declaração de Sabina Guzzanti
“Decidi realizar o documentário quando o juiz estabeleceu que o processo contra o RaiOt era infundado.
Filmei nos intervalos de uma volta pela Itália e comecei a ter uma idéia mais clara do que eu queria enquanto fazia as entrevistas, e graças à inteligência e à grande capacidade de comunicação dos entrevistados, o documentário ganhou outra envergadura.
O que mais me fascinou na realização desse projeto foi testemunhar a transformação de uma democracia em qualquer outra coisa.
Meu objetivo, deixando de lado as razões históricas e políticas, era contar como a percepção dos acontecimentos mudou gradualmente aos olhos de todos. Quais os mecanismos que tornaram possível essa alteração?
Com o tempo, tive a idéia de entrevistar outros colegas que fazem programas televisivos humorísticos no exterior, e isso foi decisivo na realização do filme. Era importante constatar que a restrição da liberdade de expressão acontece praticamente apenas na Itália; nos últimos anos, vê-se uma tendência geral (na Europa) de restrição de liberdades, mas nada se compara ao que acontece aqui.
Era importante também experimentar o conceito de “Europa”, observar o que de fato isso significa. Existe uma sensação de pertencer a algo, de termos princípios comuns e que, além da união monetária, é possível também uma união humorística.
Graças à contribuição dos colegas humoristas, fizemos um filme sobre a censura, mas também sobre a liberdade: qual o discurso da liberdade, como se percebe, que sensações dá.
Por mais que nos habituemos a tudo, quando voltamos a encontrar a liberdade, há novamente um segundo de encantamento.
Imagino que além das pessoas que se interessam por esse tema, muitos outros se sentirão atacados por Viva Zapatero!. Sobretudo aqueles que ocupam postos de poder importantes na Itália, e pretendem nos convencer de que somos pessoas livres e um povo democrático.
Estou segura que o desconforto provocado pelo filme virá expresso de muitas maneiras, algumas previsíveis, outras, sem dúvida, me surpreenderão.
Espero sinceramente que Viva Zapatero! contribua positivamente na batalha pela liberdade de expressão e que faça crescer a consciência de quão importante é, na vida de cada um de nós, que a informação seja independente da política.
George Orwell escreveu em 1984: “Digamos que dois mais dois são quatro e o resto falará por si mesmo”. O autoritarismo é a causa do desastre econômico, da corrupção e da depressão de uma nação. A liberdade é o contrário, a solução, a única solução para esse mal.
Portanto, recuperemos essa liberdade que nos pertence, para que seja ainda maior da que desfrutávamos antes.”
Sabina Guzzanti
Sobre a diretora - Sabina Guzzanti
Atriz e humorista, nasceu em Roma, Itália, em 1963. Após ter atuado em diversas produções, estreou na direção com o curta Donna Selvaggia (1998). Em 2002, dirigiu seu primeiro longa: Bimba - È Clonata una Stella, do qual também foi protagonista. Viva Zapatero! é seu terceiro filme.